A ação missionária das grandes ordens religiosas

Postado em 31 março 2016 por Paróquia São José de Osvaldo Cruz

A Ação Missionária da Igreja na América Latina desde o início do processo de evangelização envolveu muitos agentes como protagonistas da implantação da fé em nosso continente, mas entre todos precisamos destacar o trabalho redobrado das ordens religiosas, sobretudo daquelas que são conhecidas como as grandes ordens, onde se destacam os franciscanos, dominicanos, agostinianos e mercedários e, aqui entre nós no Brasil, ganha relevo o trabalho dos jesuítas. Neste artigo falamos um pouco de cada uma das grandes ordens.

Indios_e_Jesuitas

Franciscanos

Destacaram-se mais no 1º século. Em 1532 a ordem já tinha uma província autônoma no México. No século XVI formavam quase 200 conventos e residências nas Antilhas e América Central.

Na província de Nova Granada tinham 12 conventos em 1583 e em 1535 formou-se a primeira custodia no Peru e em 1553 fundou-se a primeira Província no Vice-Reino com 18 casas.

No ano de 1536 já estavam estabelecidos no Chile e Buenos Aires, sendo os primeiros a passar a América onde se destacaram pelos seus colégios, conventos, reduções e pelo trabalho dos missionários ambulantes.

Na ordem franciscana os destaques são o Frei Francisco Jimenez de Cisneiros, Frei Pedro de Gante e Frei Toríbio de Renavente, conhecido como Motolinia.

Dominicanos

Chegaram a América em 1510 e foram se expandindo pelo México, América Central, Nova Granada e Peru.Em fins do século XVI já tinham mais de 300 conventos no México, 30 na Nova Granada e mais de 150 postos de evangelização dos índios.

Os dominicanos muito se destacaram pela sua intensa defesa do índio.Criaram postos de evangelização, colégios, reduções e se destacam pelos métodos de ensino ou por sua pedagogia.Se destacam também como construtores de Igrejas

Na ordem dominicana merece destaque o Frei Bartolomeu de Las Casas e São Luís Beltrão.

Agostinianos

Chegaram à América em 1535 e em fins do século XVI já tinham duas províncias e mais de 70 conventos no México e também já tinham se estendido para o sul, chegando até o Chile.

Assim como as demais ordens se destacaram na catequese dos indígenas, no trabalho de formação através de colégios, na constituição de reduções e postos de evangelização. 

Os Mercedários:

Chegaram a São Domingos em 1514, em 1530 já estavam ao México e, em 1538, chegaram À Nova Guatemala.Em 1536 chegaram ao Peru e em 1560 Cuzco tornou-se uma província autônoma.

Os mercedários se estenderam mais na região sul e, em 1590, já tinham uns 30 conventos e cerca de 300 sacerdotes além de 65 Doutrinas voltadas para a catequese dos índios. 

Jesuítas

A ordem fundada por Santo Inácio de Loyola já nasceu voltada para a missão.No principio não foram aceitos nem por Carlos V, de Espanha e nem pelo Felipe IIEm 1567 chegaram os primeiros Jesuítas a Florida.

Quando chegaram à América, as regiões mais populosas já estavam ocupadas por outras ordens, por isso mesmo tiveram de buscar os lugares mais distantes. Foi assim que penetraram o Rio Orinoco antes mesmo dos conquistadores.

Os jesuítas fundaram missões, colégios e reduções e aqui o destaque fica com São Pedro Claver (U1654).
 

Outras Ordens Religiosas

Os carmelitas chegaram à América em1584; os capuchinhos em 1622; os Beneditinos chegaram em 1581. Os Hospitalários para cá vieram em 1602 e por fim vieram também os Oratorianos.

As Ordens Religiosas Femininas: somente começaram a chegar a partir de 1570. Assim, temos as principais ordens e a data de sua chegada:

Capuchinhas                     (1665) 
Ordem Concepcionista (1570)
Clarissas                             (1570)                  
Dominicanas                    (1575)
Jerônimas                         (1585)
Agostinianas                    (1598) 
Carmelitas Descalças    (1748) 

Ordens religiosas no Brasil

Os franciscanos foram os primeiros que para cá vieram, junto com a esquadra de Pedro Álvares Cabral, mas não permanecera e só em 1587 se fundou o convento de Salvador e depois, em 1607 fundou-se o convento no Rio de Janeiro que se torna custodia em 1657.

Os Dominicanos não se fizeram presentes no Brasil na fase colonial.Também os Agostinianos não entraram no Brasil nesta primeira época.

Os Mercedários se expandiram no Brasil vindos de Quito pelo Rio Amazonas e em 1639 fundaram um vicariato no Pará.

Das ordens religiosas consideradas grandes a que mais se expandiu pelo Brasil foi a dos Jesuítas.O primeiro grupo chegou ao Brasil em 1549 com Tomé de Souza, o primeiro Governador Geral e, em 1553, se formou a primeira província tendo o padre Manoel de Nóbrega como superior. Os filhos de Santo Inácio se expandiram por todo o litoral e em 1622 já eram mais de 180 consagrados.

Em 1740 o Maranhão se tornou uma província independente e no momento da expulsão os jesuítas tinham 590 missionários, havendo 9 colégios. Podemos bem calcular o prejuízo que a expulsão dos jesuítas trouxe para o sistema educacional do Brasil.

Os Capuchinhos, por sua vez, chegaram com o apoio da Sagrada Congregação de Propaganda Fide e tiveram missões no Maranhão e ao longo do Rio São Francisco.

Os Carmelitas chegaram à Olinda em 1584 e em 1586 se estabeleceram em Salvador.Os Beneditinos fundaram o primeiro mosteiro em Salvador no ano de 1581 e até 1660 já tinham 8 conventos e eram uma província autônoma.

Das ordens femininas as mais conhecidas se fizeram presentes no Brasil somente no século XVII com as Clarissas em 1677, as Concepcionistas em 1678 e as Ursulinas em 1735.

Por que os religiosos?

Esta é uma pergunta que muitos ainda hoje se fazem. Mas o certo é que os religiosos durante mais de 4 séculos tiveram a predominância na evangelização do Brasil e do restante da América Latina. As ordens religiosas eram mais fiéis á missão, seus membros eram menos preocupados com o enriquecimento pessoal e mais dedicados ao serviço pastoral, por isso tinham a preferência dos reis e autoridades coloniais.

Mas por outro lado sofriam uma rejeição do clero diocesano por disporem de mais recursos materiais e humanos e por gozarem de melhor situação, além de ocuparem postos privilegiados na geografia da colônias e gozarem de muitas isenções.

Com as autoridades coloniais e com os colonizadores, sobretudo com os bandeirantes e exploradores esta isenção também foi motivo de conflitos, especialmente quando os religiosos se fizeram os defensores dos povos indígenas, frente a sanha do colonizador.

Outra causa de conflitos que ainda hoje perduram está na liberdade que os religiosos possuem de arrebanhar vocações, não gozando dos limites impostos pelas divisões territoriais de paróquias e dioceses.

Fonte: A12

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