Confio em Deus, em coisas ou pessoas?

Postado em 16 março 2017 por Paróquia São José de Osvaldo Cruz

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A liturgia de hoje nos convida observar como anda a nossa confiança em Deus, ela nos leva a perguntar a nós mesmos, confio em Deus, em coisas ou pessoas? A qualidade da nossa vida espiritual depende da veracidade desta resposta.

Na primeira leitura Jeremias faz uma comparação, quem coloca sua confiança em Deus é uma pessoa bendita. É bendita porque tem sintonia com Deus, e tendo sintonia com Deus tem sua vida abençoada por ele, são pessoas que abrem canais para que as bençãos de Deus se manifestem em suas vidas. Quem a ele confia tem sua vida alicerçada numa rocha inabalável. Quem confia em Deus se sente seguro, não teme as dificuldades e acredita que vai superá-las. Assim sendo, não se desequilibra, não perde o foco e segue a diante, ajudando o outro a fazer o mesmo. Jeremias usa uma comparação para falar da confiança e da falta dela. A primeira comparação é dos que não confiam em Deus e que colocam sua confiança em outras coisas, como por exemplo nos bens materiais, nas riquezas e até mesmo em outras pessoas. Essas são pessoas muito pobres, como uma planta no deserto que tem somente secura e aridez a sua volta e por estar cercada de aridez torna-se também uma pessoa árida, seca, isto é “maldita”, ela não consegue produzir, porque seus frutos são abortados antes do tempo por causa da sua falta de consistência e dos nutrientes necessários para vingar o fruto. A segunda comparação de Jeremias é das pessoas que em Deus confiam, essas diz ele “são como árvores plantadas junto as águas”, estão sempre verdes e produzindo bons frutos, suas raízes atingem o manancial o ano todo, elas irrigadas por ele, essas são benditas porque mantém sintonia com a fonte da vida que é Deus.  Assim, nós podemos ser uma planta do deserto ou da beira do manancial, tudo depende de nós e das nossas ações e opções. Em quem colocamos a nossa confiança? O evangelho segue nesta mesma linha, trazendo a parábola do homem rico e do pobre Lázaro.  O homem rico é aquele que coloca sua confiança nos bens materiais e em pessoas. O pobre Lázaro representa os que em Deus confiam. O primeiro é rico aos olhos do mundo, mas miserável diante de Deus, não tendo sequer água para molhar a boca. O segundo é miserável aos olhos do mundo, mas rico diante de Deus. O texto não quer dizer que Deus condena a riqueza ou a pobreza, mas que avalia a atitude que temos diante dessas situações. O homem tido como rico levava uma vida insensível a dor alheia, ele passou toda a sua vida sem enxergar os pobres que estavam a sua volta e por isso nunca partilhou seus bens. Já o segundo tinha consciência de sua miséria e era vítima de um sistema opressor que exclui pessoas, que produz alguns ricos e milhões de Lázaros, que produz abismos entre essas duas classes. O grande pecado da humanidade é a falta de sensibilidade para perceber esses grandes abismos que são construídos entre ricos e pobres e não fazem nada para mudar essa realidade, e não percebem as suas causas e continuam a viver como se nada acontecesse, como na parábola, vemos que nada tem adiantado as ações proféticas, pois muitos estão sendo surdos pela ganância e pela riqueza que os cegam e os insensibilizam. O que a liturgia de hoje pretende é chamar a nossa atenção para essa realidade. Que à partir dela aproveitemos  o tempo da quaresma para revisar a nossa vida e consertar esses erros enquanto há tempo, pode ser que amanhã seja tarde demais. Fiquemos por tanto atentos aos apelos da Palavra de Deus ao tema da Campanha da Fraternidade e aos inúmeros sinais que Deus coloca em nossa vida para a nossa conversão. Sejamos uma árvore plantada  a beira do riacho e abasteçamos a nossa vida  nessa fonte inesgotável que é Deus. Isso tudo depende de nós.

 (Padre José Carlos Pereira)

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