Em entrevista especial, Pedro Perozzi fala sobre decoração da Igreja Matriz

Postado em 10 setembro 2015 por Paróquia São José de Osvaldo Cruz

Embora o nome possa parecer desconhecido para alguns, Pedro Perozzi é muito especial para todos os paroquianos, sempre presentes na Igreja Matriz, cujas paredes têm cravadas sua assinatura. Utilizando- se do estilo esculura/ pintura em cimento fresco, Pedro e seu mentor, o artista grego Cesarios Ceperó, foram os responsáveis por todas as obras artísticas do local. O trabalho durou um ano, e necessitou diversas campanhas, quando em 1988 foi finalizado. Acompanhe a história, as curiosidades e memórias do artista:

Como surgiu a oportunidade de decorar a Matriz osvaldocruzense?

Havíamos restaurado a Igreja de São Sebastião, em São Carlos, para os Passionistas. Em seguida, fizemos, também em São Carlos, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em relevo de cimento. O padre José Maria Lovera achou interessante e nos convidou para conhecer Osvaldo Cruz e a Igreja de São José. E foi assim que aconteceu a decoração.

fundo matriz setembro- boletim

Houve dificuldades no desempenho do trabalho?

Devido à envergadura do trabalho, tivemos que planejar muito bem para contornar dificuldades técnicas. A montagem do andaime para fazer as vias sacras exigiu um andaime feito sob medida para poder ficar estável, pois o piso é em rampa. Quando fazíamos o presbitério, houve um desastre. Durante a noite, quando não estávamos na igreja, uma equipe de eletricistas foi mover os andaimes, que eram enormes e de madeira, e não perceberam que eles estavam amarrados um no outro. Resultado: eles tombaram. Um deles atingiu o altar e quebrou um pouco a peça. O filho pequeno de um dos eletricistas também foi atingido e quebrou uma perna.

Na época, você era aluno de Cesarios Ceperó, hoje falecido. Como foi trabalhar com ele?

Trabalhar com o Ceperó foi de grande proveito para mim. Aprendi muito com ele, que era uma pessoa muito habilidosa, culta e inteligente. Ele era do tipo que te pôe para cima, incentivador e capaz de reconhecer o que se faz bem feito. Além disso, dava todo tipo de oportunidade possível para você crescer. Foi uma honra e uma benção poder trabalhar com ele aí (em Osvaldo Cruz), e depois até 2002, quando faleceu. Juntos fizemos cerca de 120 igrejas, muitas na Diocese de Marília.

Como é, na prática, o processo artístico (pintura em cimento) utilizado por vocês?

Para a execução dos relevos de cimento é necessário preparar a parede. Se ele já for rebocada, toda a massa deve ser retirada. Era o caso da Igreja de São José. Foi um trabalho difícil, pois o reboque era bem grosso. Depois nivela-se com massa forte. Chapisca-se, também com massa forte, e se aguarda a secagem. Em seguida coloca-se a massa de cimento, define- se o desenho, e inicia-se as incisões e os modelados. Como os quadros eram muito avantajados fazíamos em duas ou três etapas. Aguarda-se 45 dias para a secagem. Então é feita a pintura com esmalte.

Antes de executarmos os desenhos no tamanho definitivo, é feito um layout para aprovação dos padres e comissões encarregadas da obra. Toda a pesquisa sobre os temas eram feitas pelo Ceperó e por mim, com a ajuda dos padres.

O que representou para você sua estadia na cidade?

Foi muito gratificante viver em Osvaldo Cruz durante quase um ano. É uma cidade pacata e gostosa. Fizemos muito amigos. Saíamos bastante para passear nas igrejas da paróquia. Íamos às festas e quermesses e também a Presidente Prudente. Tenho saudades daqueles tempos, nem tão distantes assim.

Com o término da obra, alguma parte o agradou em particular?

Nunca fizemos uma obra tão grande em relevo de cimento. Tenho orgulho em dizer que foi a maior obra da qual já participei. Eu gostei de tudo, coruja que sou. Mas a parte que mais me toca é a nave (frente) e suas monumentais vias sacras.

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