Em: | Artigos, Destaque

O testamento espiritual de São Paulo da Cruz

Postado em 16 outubro 2016 por Paróquia São José de Osvaldo Cruz

O mês de outubro é especial para os missionários passionistas, pois além de ser um mês temático dedicado às Missões, celebra-se a solenidade de São Paulo da Cruz (dia 19), o fundador da Congregação.

O carisma missionário, deixado por Paulo à Congregação, tem sido alimentado e atualizado pelos seus religiosos, através dos tempos, sobretudo pelos escritos que ele deixou; entre eles se destaca o seu testamento espiritual.

No dia 30 de agosto de 1775, São Paulo da Cruz, pressentindo que sua missão na terra estava chegando ao fim, deixou o seu testamento espiritual, embora a sua morte só ocorresse no dia 18 de outubro de 1775.

Suas últimas recomendações foram: “Recomendo-vos a caridade fraterna… Peço-lhes que floresça na Congregação o espírito de oração, solidão e pobreza… Recomendo-vos um afeto filial à Santa Mãe Igreja e total submissão ao Sumo Pontífice… Peço a todos que observem as regras… Que os superiores se preocupem da boa semente… Peço a todos os membros da Congregação, presentes e ausentes, que me perdoem pelas faltas cometidas… A todos os presentes e ausentes dou a minha bênção.”

A primeira recomendação é a CARIDADE. Num mundo onde o individualismo tem levado as pessoas a se satisfazerem com a “amizade virtual”, a caridade sobressai como primeiro mandamento do Senhor. São Paulo da Cruz estava convencido de que, nas palavras de Jesus, “nisto conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35), estava a centralidade do seguimento de Cristo, a certeza da salvação e a única possibilidade de harmonia e paz na terra.

A segunda recomendação remete ao tríplice alicerce da espiritualidade passionista: ORAÇÃO, SOLIDÃO E POBREZA. Oração, como relacionamento e abandono em Deus; espaço da descoberta da vontade divina. Solidão, como distanciamento crítico das propostas do mundo; contemplação da realidade para uma atuação mais eficaz, segundo o querer de Deus. Pobreza, como desprendimento dos bens da terra; simplicidade no jeito de viver; total confiança em Deus.

A terceira recomendação é um AFETO FILIAL À IGREJA E TOTAL SUBMISSÃO AO PAPA. O seguimento de Jesus Crucificado não se dá isoladamente, mas na Igreja, a comunidade de fé. Por isso, Jesus contou a parábola da videira e dos ramos, afirmando que somente unidos ao tronco é que os ramos produzirão frutos, caso contrário, serão jogados fora e secarão (cf. Jo 15,6). Da mesma forma, o apóstolo Paulo apresenta a Igreja como um Corpo, cujos membros só terão vida, se estiverem unidos à Cabeça – Cristo (cf. 1Cor 12, 12-13)

10_20_st_paul_of_the_cross_best

A quarta recomendação é exclusivamente para os religiosos: QUE OBSERVEM AS REGRAS. A regra suprema para o cristão é o evangelho de Cristo. Nas congregações religiosas, as regras escritas pelo (a) fundador (a) são uma tentativa de traduzir o carisma fundante, partindo do evangelho. No entanto, as congregações possuem também as constituições, que são uma forma atualizada das regras, ou seja, do carisma fundante (regras), passa-se ao carisma da congregação (constituições), assumido por seus membros. Para os passionistas, além de: pobreza, castidade e obediência, há o quarto voto: De ser e fazer a Memória da Paixão de Cristo. Nas regras, Paulo da Cruz falou explicitamente sobre eles e as constituições apontam como viver esses conselhos evangélicos, hoje.

A quinta recomendação serve para toda liderança: QUE OS SUPERIORES SE PREOCUPEM COM A BOA SEMENTE. Nem sempre depende do semeador o bom cultivo e a boa colheita. Há o perigo dos pássaros, das pedras e dos espinhos (Mt 13, 4-7), como também do joio que pode ser semeado pelo inimigo (Mt, 13, 24-30). Contudo, não pode faltar ao semeador o estímulo ao amor e às boas obras (Hb 10,24). Quem está na liderança deve dar testemunho por primeiro.

Antes de concluir, Paulo da Cruz pede perdão pelos erros que porventura possa ter cometido. Esse gesto remete à humildade do fundador frente aos desafios da vida em comunidade. Se o perdão não perpassar as relações, dificilmente conseguiremos colocar em prática os tantos projetos elaborados. Perdoar é dizer que a pessoa é mais importante do que o mal que ela me fez. Perdoar é dom de Deus que passa pelo querer e não pelo sentir; sem perdão não há fraternidade.

São Paulo da Cruz termina o seu testamento espiritual com a invocação da bênção de Deus. A palavra “abençoar”, no hebraico, significa: “conceder poder a alguém para alcançar prosperidade, longevidade, fecundidade, obter sucesso e muitos frutos.” Neste sentido, a bênção do fundador se estende, não só aos religiosos passionistas, e ao bom êxito da missão a eles confiada pela Igreja, mas também a todas as pessoas que buscam ser contemplativas e profetas da Paixão de Cristo na Paixão do mundo.

Que o testamento espiritual de São Paulo da Cruz nos inspire sempre mais no seguimento de Jesus Crucificado.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP

Fonte: Vida Passionista

Deixe um comentário

Validação de segurança: *

Advertise Here
Advertise Here
novembro 2017
D S T Q Q S S
« out    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930