“Vede como eles se amam”: será que os pagãos poderiam dizer isso dos católicos de 2015?

Postado em 23 novembro 2015 por Paróquia São José de Osvaldo Cruz

Uma pergunta pertinente: o que é um cristão?

O MANDAMENTO DE JESUS

Deixemos que o próprio “inventor” do cristianismo nos responda:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35)

E, para que não reste dúvida alguma, o mesmo criador do cristianismo explicita:

“Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai que está no céu, pois ele faz nascer o sol sobre os maus como sobre os bons e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 43-48)

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Ainda não ficou claro? Então decrete-se e comande-se:

“Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34)

“Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15, 17)

Esta é a ÚNICA forma de ser cristão. Esta é a ÚNICA forma de evangelizar. Esta é a ÚNICA forma de “ajudar” a Deus a converter os corações pagãos.

TESTEMUNHOS DE ONTEM

Tertuliano testemunha que os primeiros cristãos levavam essas palavras de Jesus tão a sério que os pagãos exclamavam, admirados:

“Vede como eles se amam!” (Apolog. 39)

Um relato estarrecido, escrito há mais de mil anos para um pagão chamado Diogneto, “desenha” o que fazia dos cristãos um povo tão capaz de mudar o mundo mediante a mudança do coração:

“Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. Eles não moram em cidades separadas, nem falam línguas estranhas, nem têm qualquer modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é sua pátria, e cada pátria é para eles estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Compartilham a mesa, mas não o leito; vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas, com a sua vida, superam todas as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, ainda assim, condenados; são assassinados, e, deste modo, recebem a vida; são pobres, mas enriquecem a muitos; carecem de tudo, mas têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, recebem a glória; são amaldiçoados, mas, depois, proclamados justos; são injuriados e, no entanto, bendizem; são maltratados e, apesar disso, prestam tributo; fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio. Assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo; os cristãos, por todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não pertencem ao mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são visíveis no mundo, mas a sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, mesmo não tendo recebido dela nenhuma ofensa, porque a alma a impede de gozar dos prazeres mundanos; embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; os cristãos também amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita em uma tenda mortal; os cristãos também habitam, como estrangeiros, em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada no comer e no beber, a alma se aprimora; também os cristãos, maltratados, se multiplicam mais a cada dia. Esta é a posição que Deus lhes determinou; e a eles não é lícito rejeitá-la” (Carta a Diogneto, parágrafos V e VI).

TESTEMUNHOS DE HOJE

Como um cristão deveria responder ao ódio?

Uma vítima do ódio assassino, com a ferida ainda aberta no próprio peito pela barbárie da última sexta-feira em Paris, nos dá um testemunho arrasador:

“Vocês não terão o meu ódio. Na noite de sexta-feira, vocês acabaram com a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho, mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem vocês são e não quero saber; vocês são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração. Eu não vou dar a vocês o presente de odiá-los. Vocês o procuraram, mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que fez vocês serem quem são. Vocês querem que eu tenha medo, que eu olhe para os meus concidadãos com olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Vocês perderam. Nós vamos continuar jogando a nossa partida. Eu a vi esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela, há mais de doze anos. É claro que estou devastado pela dor – concedo a vocês esta pequena vitória, mas ela será de curta duração. Eu sei que ela vai nos acompanhar todos os dias e que vamos nos reencontrar no paraíso das almas livres, ao qual vocês nunca terão acesso. Nós agora somos dois, meu filho e eu, mas nós somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo para dar a vocês; eu vou buscar o Melvil, que está acordando da sua sesta. Ele só tem 17 meses, vai comer a sua papinha como todos os dias, depois nós vamos brincar como todos os dias, e, durante toda a sua vida, este rapaz vai fazer a vocês a afronta de ser feliz e livre. Porque não, vocês nunca vão ter o ódio dele” (Depoimento pessoal de Antoine Leiris em seu perfil no Facebook).

E mesmo um jihadista, criado e treinado desde a infância para odiar e matar, confessa que só o amor cristão foi capaz de fazê-lo enxergar o Deus verdadeiro:

Todos têm direito à legítima defesa, desde que cumpridas à risca todas e cada uma das condições detalhadas no Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC §2309). Mas não nos iludamos achando que a violência será a resposta cristã ao mal que ameaça, ameaçou e ameaçará o mundo. A resposta da violência é apenas a nossa derrota.

Amai os vossos inimigos. Fazei bem aos que vos odeiam. Orai pelos que vos maltratam e perseguem.

João Paulo II curtiu isso. Na prática.

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